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Luiz Inácio Lula da Silva - Falta muito para a vitória
Linha Aberta.Brasil, maio de 2002.

Tenho dito à imprensa que não comento pesquisas, favoráveis ou não, ainda mais faltando tanto tempo para as eleições. Acontece que as mais recentes têm colocado a minha pré-candidatura em uma posição de muita vantagem em relação aos outros concorrentes. E isso pode criar uma falsa impressão na cabeça de muita gente, inclusive na dos petistas, apoiadores, simpatizantes e de tantos milhões de brasileiros que querem mudar o rumo do nosso país. E digo mais: isso pode criar ilusões prejudiciais à nossa campanha.
Vou logo afirmando que estou muito feliz e confiante por estar tão à frente nas pesquisas. E que isso é bom para a disputa. Tenho certeza de que as nossas chances desta vez são as maiores possíveis. Mas é preciso ter claro que a campanha propriamente dita nem começou.

Vamos enfrentar batalhas decisivas nos próximos meses que mal se vislumbram no horizonte. E há um enorme risco de que a campanha presidencial deste ano descambe para dossiês e baixarias, se considerarmos o que já ocorreu até agora entre os partidos da base governista. Temos que estar preparados para tudo.

E, para isso, a primeira medida é não calçar "sapato alto" de jeito nenhum. Por enquanto, ninguém ganhou nem perdeu nada definitivamente em relação a 6 de outubro. Muita água ainda vai rolar por baixo dessa ponte. Nem euforia desmedida nem baixo astral, devido a subidas ou descidas nas pesquisas. Nem 8 nem 80. O que precisamos é de muita confiança, perseverança e trabalho, muito trabalho, para convencermos a grande maioria da sociedade de que esta é a vez das oposições, a vez do PT, a hora e a vez de ganharmos para governar e mudar o rumo do Brasil e da nossa história.

Nós sabemos que esta é uma chance histórica para toda uma geração de brasileiros. Mas sabemos também que está em jogo a continuidade ou não do predomínio das políticas neoliberais no Brasil - e isso significa muito, em um país com o peso econômico e geopolítico do nosso.

O governo e o pré-candidato oficial continuam enfrentando divisões na coalizão que elegeu Fernando Henrique em 94 e 98, além de dificuldades nas pesquisas atuais. A situação também não é boa para eles nos planos econômico e social, com aumento de tarifas públicas e combustíveis, inflação maior, aumento do desemprego e queda da renda real dos assalariados, sem falar na vulnerabilidade externa da nossa economia.

Nós temos alternativas para o Brasil e construímos um grande diferencial em termos de programa de governo. O que tem sido comum em eleições é partidos ou candidatos juntarem alguns especialistas na época da campanha e encomendar a elaboração de um projeto. O PT está construindo o nosso programa de governo com base em propostas elaboradas durante anos em debates amplos com a sociedade. O Instituto Cidadania, por exemplo, deu contribuições importantes nos setores de Moradia, Segurança Alimentar (Projeto Fome Zero), Segurança Pública para o Brasil, Educação, Ciência e Tecnologia, e Energia Elétrica, para citar os mais divulgados pela imprensa.

Nosso objetivo é vencer as eleições. E vamos fazer isso, como sempre fizemos, transformando a campanha eleitoral em um processo de discussão de propostas para o Brasil e de educação e conscientização política da sociedade.

Até o último momento, vamos tentar unir as oposições, respeitando o direito legítimo de cada partido lançar candidato próprio. Vamos buscar alianças amplas com base em propostas concretas de programa de governo. Vamos construir no mínimo pactos de não-agressão entre candidatos que estão no mesmo campo de luta contra as políticas neoliberais do governo FHC e que buscam a retomada do desenvolvimento do Brasil com distribuição de renda e justiça social. Vamos preparar as condições para estarmos unidos em algum momento, no primeiro turno, no segundo ou no futuro governo.

A hora, portanto, é de muito trabalho para manter e consolidar a nossa situação, mobilizando a militância, construindo o programa de governo, fortalecendo e ampliando as alianças políticas e reforçando as candidaturas nos Estados, como tem afirmado o coordenador geral da nossa campanha e presidente nacional do PT, José Dirceu.