Free Web Hosting : Election 2008 : Free Hosting : Troubled Teens : Web Site
1 2 3 4 CAUSOS & CONTOS
As lendas que o povo conta...
Clique aqui para retornar à Página-Índice do Bar da CobraAqui você tem acesso a diversos motores e utilitários de buscaVeja coisas do passado, no Museu Virtual do Chris ! Entre em contato conosco através de nosso formulário on-line, ou, caso prefira, envie um e-mail para winandy@mailandnews.com

O chapéu
Christian J. F. Winandy

O vendedor chegou de sua "tournée" pelo interior, e foi direto à tesouraria para acertar suas despesas de viagem e receber suas comissões. O tesoureiro foi ticando e somando: despesas de locomoção, despesas com alimentação, despesas com hospedagem, despesas com telégrapho (pois assim se passavam os pedidos na época) e, olhou duas vezes para o último item da lista: um chapéu. Pegou um lápis vermelho bem grosso e glosou o chapéu. "Isso não está relacionado com as despesas normais do departamento de vendas. A firma não vai reembolsá-lo." O vendedor foi-se sem argumentar, mas certo de seu direito de andar coberto ao fazer seu trabalho, de porta em porta sob sol escaldante ou chuva fria, voltou a colocar o chapéu em sua prestação de contas do mês seguinte. O tesoureiro não deixou por menos. "Mais uma vez esse maldito chapéu ? Eu já lhe disse que a firma nada tem a ver com esse tipo de despesa !" e riscou o famigerado item com tanta raiva que quase rasgou a folha.
....Passou-se mais um mês e lá veio nosso vendedor com sua prestação de contas. O tesoureiro, sabendo de sua obstinação, tanto para vendas como para cobranças, foi direto à procura do chapéu e, surpresa, não o encontrou. "Ah !" exclamou ele em português pois era a única língua que falava, "até que enfim, você resolveu sumir com o raio do chapéu !" O vendedor contou seu dinheiro, embolsou-o e colocando o chapéu sobre sua cabeça retrucou, apontando para os papéis espalhados sobre a mesa: "O chapéu está aí. Quero ver o senhor encontrá-lo." e saiu.

...A Lebre e o Cágado
Christian J. F. Winandy

Reza a fábula que, a lebre tendo desafiado o cágado para uma corrida, este acabou vencendo-a porque fez seu caminho devagar e sem parar, enquanto a lebre parou várias vezes, cochilou e acabou perdendo. A célere lebre foi lerda e o lento cágado foi constante. O que ninguém ficou sabendo é que a lebre e o cágado casaram-se e viveram infelizes para sempre. Estava a lebre para parir, naquele desespero, sem saber o que fazer, gemendo "Santa Casa não, Santa Casa não...", mandou o cágado, que estava refestelado no sofá da sala assistindo televisão e saboreando sua cerveja predileta, buscar a parteira. "Corre, seu inútil, me traga a parteira que eu vou dar à luz aqui mesmo !", gritou ela entre duas dolorosas contrações. Lá se foi o cágado, resmungando mil imprecações contra sua megera de lebre... Passou um tempo e nada, mais meia hora e nada, a lebre cada vez mais desesperada... "Esse desgraçado está demorando, aposto que parou no boteco prá tomar uma !" O cágado, que tinha acabado de chegar ao portão, levantou a cabeça, esticou o pescoço o quanto pôde sem conseguir dar sumiço nas rugas e disse:
"Se começar a implicar, eu não vou !"

Mata sete
Christian J. F. Winandy

Um alfaiate, no tempo em que a profissão ainda não estava em extinção, estava costurando, incomodado com as moscas que borboleteavam ao seu redor (alguns puristas vão alegar que moscas não borboleteiam, mas em literatura o trapezista não pode ter medo de trabalhar sem rede). Com uma batida exasperada em sua mesa de trabalho, matou sete moscas de um só tapa e afixou orgulhosamente uma placa à porta de sua oficina com os dizeres: Mata sete. O Rei, no tempo em que a coroa ainda era boa, mandou buscá-lo manu militari (hoje a PM diz condução coercitiva) e desafiou-o a matar dois gigantes, um dragão, um touro bravo, uma onça e duas pingas de garrafão prá tomar coragem. Em troca daria sua filha, a Princesa Cunegunda, que era feia de cara mas boa pessoa em casamento ao alfaiate. A Rainha, que só serve prá botar filhos de sangue azul e geleia real na cabeça ao mundo, não simpatizou com o futuro genro que não tinha berço nem posses, ficou no veneno e resolveu embaçar o casamento dos dois. Não foi preciso, pois confrontado com a feiura da Cunegunda, que apesar de boa pessoa era mais parecida com um dragão e tão formosa e cheirosa quanto uma privada turca de rodoviária ao término de véspera de feriadão (essa um dia constará das pérolas do conto brasileiro), saltou de banda, fez as malas e picou a mula.
....Hoje vive em um reino afastado, onde é conhecido por Mata sete por ser essa a quantidade de maldições de alambique que ele costuma matar antes de cair.
.
1 2 3 4 © 2002 by Chris Design - Christian Jacques Frans Winandy